França, Suíça,
Estados Unidos, Argentina, Brasil, Japão, Austrália, Inglaterra, Bélgica,
Alemanha, Luxemburgo, Mongólia e outros países realizam eventos antinucleares
A data que
marca um ano da tragédia nuclear no Japão será lembrada em vários países, que
irão se unir, nos dias 10 e 11 demarço de 2012, numa corrente humana antinuclear
internacional em memória às vítimas de Fukushima. Na capital federal, a ação
será comandada pelo Templo Budista de Brasília, que além de promover palestra
sobre o tema com Chico Whitaker, especialista no assunto, irá reunir pessoas de
vários credos ao redor do sino, simbolizando esse abraço fraternal, numa
cerimônia ecumênica.
O acidente na
usina nuclear de Fukushima foi o mais grave depois da catástrofe de Chernobyl,
na Ucrânia, em 1986. O terremoto e o tsunami que devastaram o país há quase um
ano comprometeram o sistema de refrigeração dos reatores, o que levou a
incêndios e explosões. Um mês depois, o governo elevou a emergência ao nível 7,
grau máximo da escala, antes atingido apenas pelo desastre na então União
Soviética.
Além da
tragédia natural, que resultou em milhares de mortos, a gravidade da situação
foi mais longe com o vazamento de radiação. “Os equipamentos coletivos, casas e
edifícios destruídos podem ser reconstruídos e as perdas de bens podem ser
indenizadas; enquanto a explosão de uma usina nuclear, além das mortes imediatas
que pode provocar, tem efeitos de médio e longo prazo pela contaminação
radioativa da terra, do ar, da água, das plantas e das pessoas, que ameaçará
mais de uma geração com doenças como o câncer e provocará mal formações nos que
vierem a nascer, durante muitos anos”, afirma Chico
Whitaker.
A dispersão de
elementos radiativos provocada pela explosão de reatores e pelos vazamentos de
água que os refrigera obrigou as autoridades a evacuar 3 mil moradores num raio
de 3 km e logo em seguida 45.000 num raio de 10 km, depois aumentado para 20 km.
“Até hoje todo o Japão se sente ameaçado pelos efeitos desse chamado ‘acidente
nuclear’. Segundo o governo japonês os problemas hoje estão sendo resolvidos,
mas ele é contestado pelos que dizem que a declaração do governo se baseia em
uma suposição. Não existe base científica e factual para comprovar que a
situação está sob controle”, explica o especialista.
De acordo com
Chico, o desastre ocorrido no Japão despertou o mundo para a questão nuclear.
“Foi como se Deus tivesse enviado um recado a nós, pobres seres humanos: cuidado
com a tentação de se considerarem deuses”.
Na sua palestra
intitulada “Por um Brasil Livre de Usinas Nucleares”, Whitaker falará sobre o
risco da bomba, lixo atômico, reatores para usos científicos e medicinais,
problema da mineração do urânio, necessidade de energia vinda de reatores
nucleares e sobre o acidente no Japão e suas consequências para a vida no
planeta. Mas falará também sobre alternativas às centrais nucleares para
aumentar a produção de energia elétrica no Brasil. Será um longo bate-papo de
duas horas a respeito de um assunto tão complexo e que merece
aprofundamento.
1º aniversário do
desastre de Fukushima - Uma ONG francesa
chamada “Sair do Nuclear” (Sortir du Nucléaire) é a responsável por promover
essa “corrente humana”. Ela irá ligar as cidades de Lyon e Avignon, região onde
estão muitas das usinas nucleares daquele país, no dia 11 de março de 2012. Será
um ato de solidariedade aos japoneses e de protesto contra o uso da energia
nuclear para produzir energia elétrica.
A partir dessa
iniciativa, pessoas e organizações do mundo todo farão o mesmo em seus países,
nessa mesma data. No Brasil, além da capital federal já há atividades desse tipo
sendo preparadas pelo menos em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Angra dos
Reis, Salvador da Bahia, Caitité (onde se encontra a mina de urânio).
Serviço:
EM
BRASÍLIA
(Templo
Budista de Brasília)
EQS 315/316 – Asa
Sul
Dia 10 de
março, sábado
- 9h: Ofício budista em
memória às vítimas do terremoto/tsunami no Japão e para meditar sobre a lição de
Fukushima.
- 17h:
Palestra do Chico Whitaker para refletir sobre “A convivência da humanidade com
a energia nuclear”, “Abraço Ecumênico” em torno do Sino e “Badaladas para a
Humanidade em Paz – ANNON”.
Entrada
franca.
Classificação indicativa: livre
Classificação indicativa: livre
EVENTOS JÁ
PROGRAMADOS PELO MUNDO
(hhtp//antinuclearbr.blogspot.com)
Na França
· Em Lyon, corrente
humana até Avignon
· Em Bordeaux, corrente
humana até às Docas
· Em Bretagne, corrente
humana do Vale do Rhône
Na Suíça
· Em Gümmenen, marcha
até a Usina Nuclear de Mühleberg
Na Argentina
· Em Buenos Aires,
corrente humana em torno do Congresso Nacional
No Japão
· Em Tóquio, corrente
humana em torno do Parlamento
· Em Nagoya, evento com
a apresentação da Orquestra Filarmônica
Nos Estados
Unidos
· Em New York, caminhada
de Union Square até Central Park, “Estamos Grávidos com Medo de
Radiação”
· Em Encinitas,
Califórnia, caminhada e corrente humana
Na
Austrália
· Em Adelaide, Alice
Springs, Cairns, Camberra, Darwin, Hobart, Melbourne, Perth e Sydney:
manifestação e passeatas do “Dia Nacional para Acabar com a Mineração de
Urânio”
Na
Inglaterra
· Em Hinkley: bloqueio a
Hinkley Point “Pare! Fukushima Nunca Mais!”
Na Bélgica
· Em Bruxelas,
manifestação e passeatas
Na
Alemanha
· Em Kirchheim, corrente
humana e cerco à Usina Nuclear de Neckarwesthein
· Em Aachen,
Elisenbrunnen, vigília com eventos culturais
· Em Gronau, caminhada e
cerco à Central de Enriquecimento de Urânio Urenco
· Em Lichterkette,
corrente humana
· Em Brokdorf , corrente
humana e cerco ao reator nuclear da AKW
· Em Gundremmingen,
corrente humana e cerco à usina nuclear
Em
Luxemburgo
· Em Schengen, corrente
humana em frente ao Centro Europeu
Na
Mongólia
· Em Ulanbatar,
manifestação “Pare a Programa Nuclear da Mongólia”, organizada pelo Movimento
Antinuclear da Mongólia, com desfile de máscaras
No Brasil
· Em São Paulo, corrente
humana na Avenida Paulista, MASP
· No Rio de Janeiro,
corrente humana na Praia de Ipanema
· Em Angra dos Reis,
vigília com velas durante a noite de sábado nas usinas nucleares Angra 1 e 2 e
no domingo de manhã, lançamento de uma barcaça ao mar em homenagem às vitimas de
Fukushima na Vila Histórica de Mambucaba
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