Dado não significa que uma geração de médicos esteja despreparada. Pelo contrário: expõe necessidade de olhar de maneira mais ampla para a jornada de formação de um profissional que continuará estudando e se aperfeiçoando durante toda a carreira. Ao mesmo tempo, essa jornada tornou-se mais complexa. Nos últimos anos, o país continuou ampliando a oferta de vagas em Medicina, enquanto o governo federal também passou a direcionar investimentos para aumentar a formação de especialistas. Em 2026, foram anunciadas mais de 3 mil novas bolsas de residência e, desde 2023, 447 novos programas foram criados com apoio do Ministério da Saúde.
Para a médica e executiva Laura Pazzini, diretora do IPM PRO, o maior programa de preparação para ingresso em residências do Brasil, os números indicam que o debate brasileiro sobre a formação médica está entrando em uma segunda etapa. “Durante muito tempo, a principal discussão foi como formar mais médicos e ampliar presença dos profissionais. Essa continua sendo uma questão importante, mas precisamos acrescentar outra: como apoiar médico depois que ele entra na faculdade e, principalmente, depois que recebe o diploma? Medicina exige processo de formação contínua. Residência, prova de título, atualização e desenvolvimento profissional fazem parte disso”, afirma Laura.
A percepção nasce também da experiência da executiva dos dois lados dessa jornada. Médica com formação em Oftalmologia, Laura passou pela preparação para residência, viveu a rotina de programa de especialização e realizou prova de título antes de decidir concentrar sua carreira na educação médica. Hoje, participa da construção de programas voltados à preparação de médicos para residência e provas de título de especialista.
O movimento acompanha uma transformação que começa a ganhar força no mercado de educação médica: a substituição do modelo baseado apenas na oferta de conteúdo por estruturas que combinam conteúdo, acompanhamento individual, mentoria, análise de desempenho, tecnologia, inteligência artificial e direcionamento de estudos. No IPM Educação, por exemplo, o aluno pode contar com cronogramas individualizados, dashboards de desempenho, bancos de questões, flashcards, mentoria estratégica e acompanhamento ao longo da preparação. A empresa também vem expandindo sua atuação para médicos já formados que buscam título de especialista em diferentes áreas.
Laura acompanha essa transformação desde dentro. Ela iniciou sua trajetória no IPM como aluna, passou a mentora, assumiu a coordenação de mentores e, posteriormente, chegou à direção do IPM PRO. Segundo dados recentes, o ecossistema saiu de cerca de 120 alunos diretamente atendidos em 2023 para aproximadamente 5,1 mil em 2026. “Existe diferença importante entre transmitir conhecimento e ajudar alguém a aprender. Hoje temos uma quantidade extraordinária de conteúdo disponível. Para muitos médicos, a dificuldade não está em encontrar aula ou livro, mas em entender o que estudar, em que momento, identificar suas deficiências e construir uma estratégia compatível com sua realidade”, explica.

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